Proposta D
RT4

Dossiês de operação

Todo processo que dói tem a mesma origem: ele saiu do sistema.

Virou planilha porque o sistema não previa o caso. Virou e-mail porque a planilha não tinha dono. Virou digitação porque o e-mail não conversa com o ERP. Os cinco dossiês abaixo mostram esse caminho sendo desfeito.

DOSSIÊ 01

O conhecimento de compras morava na caixa de e-mail

Situação

Cada comprador guardava o histórico da sua carteira do seu jeito: fio de e-mail, planilha pessoal, memória. Quando alguém saía de férias, a negociação recomeçava do zero. Quando alguém saía da empresa, recomeçava pior.

Ninguém percebia o custo porque ele não tem nome no balanço: aparece como desconto que não foi pedido e prazo que não foi renegociado.

Mecanismo

Fornecedor, contato, acordo, histórico e próxima ação passaram a viver num sistema só, com o dado de compra vindo do ERP em vez de ser redigitado. O que era iniciativa de cada um virou campo obrigatório do processo.

A IA entra na parte chata: lê o e-mail e o documento anexo, propõe o resumo da tratativa e sugere a próxima ação. O comprador confirma ou corrige — não digita.

AntesHistórico na caixa de entrada de cada comprador
DepoisTimeline por fornecedor, visível para o time todo

Construído com aplicação web sobre banco relacional, integração com o ERP, modelo de linguagem para leitura de e-mail e anexo.

DOSSIÊ 02

O acordo comercial era um fio de e-mail com quatro pessoas em cópia

Situação

Sell-in, sell-out, ponto extra, tabloide, verba de mídia, condição contratual: cada acordo nascia num e-mail do vendedor e subia a hierarquia em cópia — supervisor, gerente, comercial. A aprovação era uma frase de resposta.

Ninguém conseguia dizer em que pé estava um acordo sem procurar na caixa de entrada. Quando alguém reprovava, o motivo ficava no corpo do e-mail e a próxima versão voltava por anexo, sem ligação nenhuma com a anterior. Auditar o que foi combinado significava reconstruir a conversa.

Mecanismo

O acordo virou registro, com login corporativo e permissão por papel. A aprovação deixou de ser "aprovado, abraço" e passou a ser granular: cada seção — geral, cliente, produtos, financeiro, anexos, cronograma — é aprovada ou rejeitada por quem tem alçada para aquilo.

A rejeição tem regra de volta: rejeição de seção volta para quem escreveu; rejeição total volta para o último aprovador da hierarquia, não para o começo. A proposta ganha versão a cada correção, e a linha do tempo guarda quem decidiu o quê, quando e com qual comentário.

AntesFio de e-mail com quatro em cópia, versão por anexo
DepoisRegistro versionado, aprovação por seção, motivo anexado à decisão

Construído com aplicação web com login corporativo da própria empresa, permissão por papel, integração com o ERP por um gateway intermediário, anexos em armazenamento de objetos — e cada função do sistema exposta também como ferramenta do agente de IA interno, sempre com a permissão do usuário logado.

DOSSIÊ 03

Cinco minutos e quatro sistemas abertos para avaliar um pedido

Situação

Cada pedido pendente custava cerca de cinco minutos de analista, distribuídos por quatro sistemas: o de pedidos para itens e desconto, o ERP para cadastro e histórico do cliente, a base de negociações para saber se a rebaixa tinha autorização, e uma planilha de apoio meses defasada.

Quatro janelas abertas, o dia inteiro, pedido a pedido. E o pior: a maioria dos pedidos estava certa. Os cinco minutos existiam para encontrar a minoria errada.

Mecanismo

O critério da analista virou sete portões de qualidade, aplicados a todo pedido: introdução de produto, prazo de pagamento, bonificação dentro da política, erro de digitação no preço, rebaixa sem negociação que a sustente, produto duplicado e unidade de venda fora do usual.

Cada portão devolve um resultado — ok, alerta, falha, não aplicável ou não verificável — com a justificativa citando o dado que a sustenta. O modelo de linguagem não decide no vazio: ele consulta os sistemas ao vivo por ferramentas com escopo, em vez de ler uma planilha velha.

O parecer final sai de três: aprovar, análise manual ou reprovar. Todos os portões verdes, o pedido segue sozinho. Qualquer coisa fora da política — ou qualquer dado que faltou para julgar — cai na fila humana já com o motivo escrito. A analista parou de procurar o problema e passou a decidir sobre ele.

Antes5 minutos por pedido, 4 sistemas abertos, todos conferidos à mão
Depois1 tela, parecer pronto com justificativa por portão; humano só na exceção

Construído com modelo de linguagem operando por ferramentas sobre o ERP e o sistema de pedidos, gateway de dados como ponto único de acesso, parecer e transcrição gravados em banco para auditoria.

Como se liga isso sem susto

Aprovação automática mexe em dinheiro. Foi ligada em três fases: primeiro o parecer apenas lia e opinava, sem efeito nenhum no sistema de pedidos; depois passou a escrever a opinião junto ao pedido, para a analista comparar com o próprio julgamento; só então a aprovação dos casos seguros passou a sair sozinha.

A escrita em produção tem freios explícitos: chave que desliga tudo, teto de pedidos por ciclo, idempotência (pedido aprovado nunca é reenviado), tentativa técnica limitada e a regra de nunca marcar como aprovado sem a confirmação do outro lado.

O custo, que também é requisito

A primeira versão gastava cerca de 63 mil tokens por avaliação — o laço de ferramentas reenvia a conversa inteira a cada rodada, então cada caractere pesa várias vezes.

Duas rodadas de otimização atacaram a causa: as ferramentas passaram a devolver só os campos que os portões usam, em vez da linha inteira da tabela, e consultas repetidas viraram consulta em lote. O parecer caiu para a casa de três centavos de dólar, com o mesmo veredito nos testes lado a lado.

Por que isso importa automação que custa mais que a hora que substitui não é automação, é despesa nova. Custo entra como requisito no primeiro dia — junto com controle de acesso e trilha de auditoria.

DOSSIÊ 04

A busca no acervo jurídico levava a tarde inteira

Situação

Processos trabalhistas arquivados em repositório de documentos, sem índice útil. Toda pergunta da diretoria — quantos casos com esse fundamento, o que foi acordado naquele precedente — virava garimpo manual de advogado sênior.

O custo real não era a hora gasta: era a pergunta que ninguém fazia porque a resposta demorava demais para valer a pena.

Mecanismo

O acervo foi indexado por trecho, não por arquivo. A pergunta em português recupera os trechos relevantes e o modelo redige a resposta citando a fonte — com o documento anexado, para conferência.

A regra que sustenta confiança: resposta sem fonte não é entregue. Quando o acervo não cobre a pergunta, o sistema diz que não cobre, em vez de inventar.

AntesGarimpo manual, uma tarde por pergunta
DepoisResposta em minutos, com o trecho de origem anexo

Construído com recuperação semântica sobre o repositório existente, modelo de linguagem com citação obrigatória, controle de acesso por grupo.

DOSSIÊ 05

A falha de embalagem só aparecia depois, no cliente

Situação

Conferência de embalagem na linha dependia de olho humano em turno longo. Garrafa sem tampa, sem bico, sem rótulo ou deitada passava — e voltava como reclamação, troca e frete refeito.

A empresa tratava isso como custo de qualidade inevitável. Não é: é um problema de medição que ninguém tinha instrumentado.

Mecanismo

Câmera na linha, modelo de visão treinado nos quatro defeitos que importam, registro de cada ocorrência com imagem e horário. O turno passa a saber quantas falhas aconteceram e em que momento — e não depois, pela reclamação.

Sem substituir ninguém: o operador deixa de ser o detector e passa a ser quem age sobre o que foi detectado.

AntesConferência por amostragem e atenção humana
DepoisCada ocorrência registrada, com imagem e horário

Construído com visão computacional em câmera de linha, modelo treinado sobre imagens da própria produção, registro consultável por turno.

O que se repete não é o sistema. É o processo ter saído do sistema, e alguém ter pago por isso em hora de gente.

Por isso o trabalho começa sempre pelo mesmo lugar: acompanhar o pedido nascer e morrer, e marcar cada ponto em que ele vira planilha, e-mail ou digitação.

Como se chega lá

Quatro semanas de diagnóstico, depois execução por fase

Semana 01

Imersão

Entrevistas com operação, comercial, financeiro, fiscal e TI.

Semana 02

Operação real

Acompanhar o pedido de ponta a ponta e marcar onde ele sai do sistema.

Semana 03

Quantificação

Horas por semana no trabalho manual e custo anual do retrabalho aceito como normal.

Semana 04

Decisão

Três oportunidades priorizadas, um risco de continuidade e uma fase 1 executável.

Se algum desses dossiês parece a sua operação, vale conversar.

Trinta minutos, sem custo e sem proposta no fim. Você conta qual processo dói hoje; eu digo se vale automatizar — inclusive quando a resposta é não.

Base

Rio de Janeiro · RJ